relembra triunfo sobre a Fúria em 2003, quando foi artilheiro e Bola de Prata
Treino como titular do Goiás pela manhã, decisão como entusiasta da seleção brasileira à tarde. Esse foi o domingo de Dudu Cearense. Em um só dia, o volante esmeraldino viveu dois lados do futebol. Se dividiu entre o trabalho em campo e a vibração pela televisão. Correu, desarmou e deu passes no CT Edmo Pinheiro, bem como torceu e se impressionou com o espetáculo que viu no Maracanã, ainda que de longe e como mero espectador.
Dez anos após conquistar o Mundial Sub-20 realizado nos Emirados Árabes, em 2003, vencendo a Espanha por 1 a 0 na final, Alexandro Silva de Sousa voltou a celebrar um título brasileiro sobre a Fúria. Desta vez, a taça veio na Copa das Confederações e com Dudu apenas na torcida. No entanto, vivendo papel de um torcedor especial: que já provou o gosto de bater os espanhóis e de ser campeão diante de um grande time, que também tinha Iniesta.
Se na época o jovem Iniesta já chamava a atenção nos gramados europeus, coube a Dudu comandar a equipe canarinho. O volante foi o principal destaque brasileiro no Mundial Sub-20 de 2003, inclusive levando o prêmio Bola de Prata, como segundo melhor jogador da competição, e sendo o artilheiro ao lado do argentino Cavenaghi, com quatro gols.
- Para mim, foi bastante diferente. Ser artilheiro como volante é coisa rara. Nosso primeiro intuito é marcar, mas foi muito bom. Aquele torneio me projetou - relembra Dudu.
Outros nomes promissores defenderam o Brasil no Mundial dos Emirados Árabes. Na final contra a Espanha, o técnico Marcos Paquetá levou a campo a seguinte formação: Jefferson; Daniel Alves, Alcides, Adaílton e Adriano; Jardel, Dudu Cearense, Juninho e Daniel Carvalho; Kléber Gladiador e Nilmar. O gol da vitória por 1 a 0 saiu apenas aos 42 do segundo tempo e foi marcado por Fernandinho, que, assim como Dagoberto, começara no banco. Na época, ambos jogavam pelo Atlético-PR.
Segundo Dudu Cearense, a estratégia utilizada pelo time de Luiz Felipe Scolari para atropelar a Espanha por 3 a 0 e levar a Copa das Confederações foi, basicamente, a mesma de que o Brasil se valeu dez anos antes. O volante se diz contente pelos companheiros que até hoje permanecem na Seleção e os parabeniza pela conquista, o tetracampeonato.
- Marcação pressão foi a chave. Não deixar o time deles jogar. Felipão soube usar bem isso, que também foi algo que nos ajudou em 2003. Daquela época, ainda sou muito próximo do Daniel Alves, mas também estavam naquele grupo o Jefferson, o Diego Cavalieri, o Jô... Fica a amizade. Até com o pessoal da comissão e demais funcionários, como os roupeiros.
Dudu também teve oportunidades na seleção principal. Entre 2006 e 2007, esteve prensente em várias convocações feitas por Dunga. Porém, acabou fora da disputa da Copa América de 2007 por conta de uma lesão. O jogador considera esse fator como um dos principais para afastá-lo do grupo de confiança que seria constatemente chamado pelo técnico gaúcho até a Copa do Mundo de 2010.
Aos 30 anos, o volante, natural de Fortaleza, ainda se vê com idade e em condições de vestir a camisa do Brasil. Para isso, valoriza a condição de titular no atual time do Goiás e o maior espaço que tem recebido do técnico Enderson Moreira, mas admite que a concorrência é muito grande. Basta analisar alguns nomes disponíveis em sua posição de origem, que conta atualmente com Paulinho e Hernanes, dois atletas que vivem ótima fase.
- Claro que, enquanto estiver jogando, penso sim em um dia ter uma nova oportunidade de defender o Brasil, mas não depende só de mim. Seleção é consequência do trabalho e busco fazer meu melhor no Goiás e na Série A, que tem boa visibilidade. Só que o Felipão pode montar até três times se quiser. São muitos jogadores de qualidade - ressalta.
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